Campismo experiência nº 2 - Ilha da Berlenga, arquipélago Berlengas

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Após o relato da primeira experiência de campismo em São Pedro do Moel, vem agora o post da segunda experiência, na Ilha da Berlenga, arquipélago das Berlengas.

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Esta tinha sido a primeira ideia de campismo mas, como referi no post anterior, para primeira experiência, estarmos limitado a uma ilha, seria melhor ver como correria noutro lado mais acessível. Após tudo ter corrido bem, estavamos mais descansados e preparados para esta aventura, o que não significa que não tivessemos já reservado a 4 de julho, quando abriam as reservas, porque o parque de campismo é pequeno e não queriamos perder os planos desta escapadinha!

O Posto de Turismo de Peniche foi o contato de reserva e informações úteis, no entanto, na marina de Peniche, existem casinhas para reservar o barco e outras atividades marítimas ou passeios de barco para visitar as grutas (neste caso, reservámos diretamente com o senhor do barco na ilha), provavelmente até o parque de campismo poderá dar para reservar nessa zona mas não estou informada sobre isso.

Nas pesquisas até ao dia da viagem, os sites que encontrei com informações das Berlengas, eram de 2007 ou 2011, por isso, colocarei informações atuais e os procedimentos da nossa experiência para visitar e acampar nas Berlengas.

Reserva do parque de campismo

Após reserva por telefone com o Posto de Turismo de Peniche e confirmação do preço, enviei um e-mail para campismo.berlenga@cm-peniche.pt com a data de checkin e checkout, nº de pessoas, tamanho da tenda e comprovativo de pagamento para o NIB que me indicaram. Após confirmação do pagamento, enviam em resposta por e-mail, o guia de reserva, no qual reforçam a necessidade de impressão sem a qual não poderiamos entrada no parque de campismo. Não aceitam formato digital e existe uma senhora na ilha, na subida perto das casinhas, que verifica o guia e poderá esclarecer mais informações.

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Como ainda tinhamos algumas dúvidas, o posto de turismo forneceu-nos uma lista útil que passo a enumerar:

​Acampar na Berlenga – Particularidades

  • A ilha tem capacidade de carga humana limitada. Desse modo, a lotação da tenda e/ou do socalco não pode ser excedido de modo nenhum.
  • À noite nem todos querem `curtir` até altas horas. Procure não fazer barulho e acate as indicações dos vigilantes e autoridades.
  • Os espaços comuns (instalações sanitárias, duches, lava-louças, tanques de roupa, etc.) são de todos. Mantenha-os limpos!
  • Lixo na ilha é praga! Deposite-o nos recipientes próprios que existem na área de campismo.
  • O terreno é rochoso, pelo que deverá levar espias fortes ou mesmo pregos grandes, bem assim como martelo.
  • Na ilha a energia elétrica é produzida por gerador que não está ligado durante toda a noite. É bom ir munido com lanterna.
  • Dado que na ilha existem numerosos animais, sobretudos gaivotas, as tendas devem ser protegidas de naturais `bombardeamentos`.
  • Há muito pouca água doce disponível… por isso poupe-a! Serão disponibilizados 15 L/Dia por pessoa entre as 08:00 e as 11:00 horas. Convém levar vasilhame.
  • Os socalcos deverão estar disponibilizados até às 12:00 horas do dia de saída.
  • Após a reserva se tornar definitiva deixa de ser possível a troca de socalco, nome dos titulares ou dos dias reservados.
  • Não nos é possível devolver verbas já pagas por falta de transporte para a ilha ou por qualquer outro motivo.

Para mais informações sobre Berlenga – Reserva da Biosfera da UNESCO aceda em: Berlengas Reserva da Biosfera da UNESCO

O link tem um pdf/panfleto que informa os trilhos e biodiversidade da ilha.

Parece-me que uma pessoa que apanhe o barco das 10h30 e saia no barco das 18h30 consegue aproveitar bastante a ilha mas queriamos a full experience e por isso passámos lá duas noites.

Preparativos

Levámos praticamente tudo o que tinhamos levado para o primeiro campismo mas melhor arrumado de forma a não necessitarmos de carro na caminhada do carro ao barco e do barco à zona da tenda.

A tendência das experiências tem sido:

  • uma mochila necessaire de forma a ter tudo para os lavabos
  • uma mochila pequena, que foi vazia e atada de fora numa mochila mas que depois é utilizada com água e comida para as caminhadas
  • dois garrafões de água vazios para encher no período de tempo indicado anteriormente, para tomar banho ou lavar mãos e dentes mas informaram-nos quando já estavamos na ilha, que a água é imprópria para consumo - felizmente tinhamos várias garrafas de água mais pequenas na geleira mas também existe uma lojinha na ilha, para além do restaurante
  • um saco do IKEA para transportar os colchões de espuma enrolados e mais alguma coisita que seja necessário
  • geleira com comida, bebida, loiça
  • mochila maior com roupa e até alguma loiça e outros itens necessários

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A ida

Para recuperar da quinta-feira do NOS Alive, tinhamos sexta-feira, 10 de julho, como dia de férias. Às 10:30 era muito cedo para apanhar o barco, por isso, com tempo para dormir, preparar as malas e ir até Peniche, apanhámos o barco da Viamar, de Peniche para a Ilha da Berlenga às 17:30. Nota: a viagem a esta hora só está disponível de 1 de julho a 31 de agosto.

Às 10:30 esta é a quantidade de pessoas que podem chegar à ilha num sábado:

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Barco viamar:

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O barco tem dois pisos mas não visitei o de baixo que tem uma parte fechada. Um senhor forneceu saquinhos de plástico caso alguém enjoasse mas não vi ninguém ficar mal disposto. Toda a gente sentou-se no barco mas após o arranque, muito poucos ficaram sentados, foi tudo para o centro do barco. Várias vezes levamos com salpicos de água mas é uma experiência divertida. A viagem leva cerca de 40 minutos.

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A primeira impressão que tive da ilha é que é muito mais alta do que pensava! E ao chegar de barco, antes de atracar, podemos ver, numa encosta, a frase Life + Berlengas, mais tarde o senhor do barco indicou-nos que a encosta fica toda florida na primavera, porque está cheia de chorões que florescem nessa altura e a frase fica bem em destaque.

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Encontrei um artigo de janeiro 2015 sobre a remoção dos chorões para formar este logotipo e também informam sobre a captura e recaptura de coelhos e ratos, o que é interessante, porque por experiência posso dizer que vimos dois ou três ratos à noite (vivos a passear) e dois coelhos mortos noutros locais mais afastados - spea | Retirada de chorão cria logo LIFE+ Berlengas.

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Bairro dos Pescadores - construído em 1941, no local onde existiu um mosteiro quinhentista da ordem jerónima, com o intuito de albergar a comunidade piscatória instalada na Ilha da Berlenga, este complexo habitacional é hoje composto por cerca de três dezenas de casas.

Berlengas Reserva da Biosfera da UNESCO

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Parque de campismo

Não sei como é feita a colocação das tendas nos respetivos socalcos, deverão escolher pelo tamanho da tenda mas depois não sei se têm alguma ordem definida à medida que as reservas são feitas, porque parece-me que os lugares mais acima são os mais bonitos em termos de vista! Provavelmente são os mais bombardeados pelas gaivotas mas no fim, todas as tendas vão ter alguma quantidade deste tipo de batismo. Também serão muito mais ventosos, especialmente as noites.

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No entanto, vale muito a pena acordar de manhã com uma vista fenomenal destas!

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O nosso socalco era o número 9, quase dos últimos da descida mas mesmo em posição de ver a enseada. Adorei o sitio!

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Condições

Os lavabos e zona para lavar a loiça são no topo do bairro, na subida da encosta, no entanto, deve-se levar cerca de 3 a 4 minutos de caminho.

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Toda a água das torneiras é salgada. O que é bastante estranho mas para isso convém ter garrafas com água doce para utilizar.

O que me surpreendeu é que tem papel para secar as mãos e papel higiénico. Penso que não tanto pela zona de campismo mas porque há muita gente a visitar a ilha no mesmo dia ou a ir somente à praia e é preciso algumas condições para elas. Pelo menos, tendo em conta que os campistas andam munidos desses acessórios.

As casas de banho pareciam ser limpas várias vezes ao dia e convém mesmo ir de lanterna ou luz forte no telemóvel para iluminar o caminho após o pôr do sol, caso se façam viagens fora da tenda para o Bairro dos Pescadores (ou para outros lados, para os mais aventureiros).

Proteção de tenda

Seguimos os conselhos de levar proteção para a tenda dos bombardeamentos das gaivotas. Plástico e fita adesiva, não protegeu totalmente à frente e atrás da tenda mas a limpeza com água e escova, em casa, depois de estar tudo seco, limpou-se facilmente e rapidamente, por não termos de limpar toda a zona de cima.

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A quantidade de gaivotas que sobrevoam a zona ao final do dia é impressionante.

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Visita

No primeiro dia, como chegámos ao final da tarde, após montar o estaminé, demos uma volta pequena pela zona do embarque e até perto da praia. Esta praia tem uma zona lateral proibida pois pode haver derrocada. Até à praia existe uma ponte e vê-se uma gruta.

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Conservas para jantarinho com vista.

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À noite o céu é dos mais estrelado que já vi mas rapidamente fica nublado. O único ponto negativo é mesmo o barulho de alguns campistas, que parecem até ser frequentes na ilha (ou até podem não ser) mas que durante a noite, não têm muito respeito pelas pessoas que estão a descansar.

Trilho da Berlenga

No dia seguinte, começámos pelo Trilho da Berlenga. Informação deste trilho segundo o documento mencionado mais acima:

  • Extensão: 3 km
  • Duração aproximada: 3h00m
  • Grau de dificuldade: médio, declive muito elevado (acesso ao planalto)
  • Tipo de itinerário: Linear
  • Ponto de partida: Bairro dos Pescadores
  • Ponto de chegada: Forte São João Baptista
  • Apoios: percurso sinalizado (placa, mesas, sinais)
  • Pontos de interesse: Planalto do Farol, Forte de São João Baptista, visita às grutas

Não visitámos as grutas neste trilho.

O declive elevado até ao planalto do Farol, é em estrada alcatroada, por isso, não creio que seja dificil em termos de insegurança.

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Na realidade, poderá ser mais complicado chegar ao Forte São João Baptista porque tem muitos degraus desde o topo da ilha até ao ponto mais baixo, onde se encontra o Forte. No entanto, é um percurso que sabe bem chegar ao fim, tanto no Forte como a chegada novamente ao topo.

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Forte São João Baptista

O Forte tem alojamento e pareceu-me ter muito mais quartos do que imaginava mas não consegui ver como são por dentro, apenas li em alguns artigos pela net (antigos) que as condições não eram muito confortáveis mas mais não sei.

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Almoçámos no telhado/terraço do forte, levámos sandes e sumos e foi uma ideia excelente para repor as energias, subirmos novamente todos aqueles degraus e continuarmos até ao ponto mais oeste da ilha.

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A caminho do ponto mais oeste que se pode visitar:

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Grutas

Após conclusão do trilho, fizemos uma pausa e fomos a caminho da praia. No entanto, tinhamos curiosidade das grutas num barco com fundo de vidro e, apesar de não termos bilhete, chamámos um senhor dos vários barcos que se encontram no porto e pudemos entrar de imediato, juntamente com um grupo que ia visitar as grutas, que fez ida e volta do Bairro dos Pescadores.

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Praia

A praia tem água cristalina e apesar de fria, durante um tempinho esteve-se mesmo muito bem! É bem pequena e aqui na foto não parece mas estava cheia (sitio das tolhas)

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Trilho Ilha Velha

  • Extensão: 1,5 km
  • Duração aproximada: 1h30m
  • Grau de dificuldade: fácil, declive médio
  • Tipo de itinerário: Circular
  • Ponto de partida e de chegada: Bairro dos Pescadores
  • Apoios: percurso sinalizado (placa, mesas, sinais)
  • Pontos de interesse: Buzinas, Pedra Negra, Carreiro dos Cações

Na realidade achei este percurso mais desafiante que o anterior. Começámos pela zona mais perto do Bairro dos Pescadores, porque o outro ponto do percurso, termina mais perto do Parque de Campismo e essa zona pareceu-me mesmo muito acentuada, pelo que, não fizemos o percurso circular.
Fomos até às Buzinas e voltámos para trás. Estava bastante vento no final do dia e havia muitas gaivotas pelo caminho, não queria ser atacada, fiz o caminho rapidinho em certas partes e o trilho está mais perto do declive do que no outro trilho, onde há mais zonas planas e bem largas no topo da ilha.

Vista para o Forte São João Baptista de uma das pontas deste trilho (logo no início de quem inicia o trilho mais perto do Bairro dos Pescadores):

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Videos:


Para relaxar depois dos trilhos, fomos ao restaurante, petiscar um queijinho e umas piña coladas.

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No dia seguinte, fomos arrumando as coisas aos poucos para apanhar o barco das 10h30 para almoçar em Peniche.

Existe uma política de que, quem passar a noite na ilha, caso não vá no barco das 10h30, pode ou não apanhar o barco das 16h30, senão apanha o último das 18h30. Penso que, porque como há muita gente a visitar a ilha, se não vai dormir na ilha, tem de ter prioridade a ir-se embora porque o barco também tem capacidade limitada (mas ainda leva bastante gente!)

O dia ficou bem cinzento e fresco. Acho que tivemos muita sorte no tempo desse fim-de-semana.

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Aves

Levei a minha máquina com superzoom para poder apanhar melhor as gaivotas de longe, sem me intrometer pois não convém mesmo as gaivotas-mãe acharem que os filhos estão ameaçados.

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Lagartixas

Existem lagartixas com a pele num verde vivo!

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Preços

Em termos de preços, no campismo, uma tenda para 2 pessoas durante 2 noites ficou a 20,60€. O barco de ida para a ilha, na Viamar, foram 12€ por pessoa (a reserva pode ser feita por telefone e é pago perto do local de embarque) e o preço de volta para Peniche num dia diferente é de 7€ no mesmo barco (pago no barco).

O bilhete fica mais barato caso a pessoa vá e volte no mesmo dia.

A viagem do barco com fundo de vidro pelas grutas das Berlengas, são 5€ por pessoa.

Conclusão

A ilha da Berlenga ultrapassou as expetativas! Não imaginava que tivesse vistas tão brutais e trilhos interessantes! Foi das melhores viagens que já fiz e está tão perto, no nosso querido Portugal!

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